Haddad é ignorado por petistas em evento

Em discurso de 10 minutos na abertura do seminário "Ameaças à democracia" a presidente do PT, Gleisi Hoffmann, não citou nem uma única vez Haddad, que substituiu o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva

Em seminário internacional promovido pela Fundação Perseu Abramo, centro de estudos do PT, o candidato do partido à Presidência, Fernando Haddad, foi virtualmente ignorado.

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Em discurso de 10 minutos na abertura do seminário “Ameaças à democracia” a presidente do PT, Gleisi Hoffmann, não citou nem uma única vez Haddad, que substituiu o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva na chapa do partido nesta terça-feira (11).

“Lutamos até o último minuto para que nossa suprema corte revisse esse processo injusto [que impediu Lula de concorrer], mas não conseguimos”, disse Gleisi. “Tanto o Lula quando o PT avaliaram que iríamos substituir a candidatura de Lula e concorrer às eleições”, disse ela, sem se referir à candidatura de Haddad, que estava em agenda de campanha no Rio.

A presidente da legenda afirmou que o fato de Lula não participar das eleições já desestabiliza o processo porque, segundo ela, uma parcela grande da população não poderá exercer livremente seu direito de voto.

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“Não estamos totalmente certos de que essa eleição ocorra em ambiente normal, vai depender muito do desempenho que o PT vai ter.”

A filósofa Marilena Chauí, uma das fundadoras do PT, citou Haddad apenas de forma indireta e, mesmo assim, para criticá-lo.

Falando sobre os acontecimentos que desencadearam as manifestações de 2013, Marilena lembrou de uma reunião de que participou com “o prefeito” (que era Haddad na época) e membros do Movimento Passe Livre, que pedia redução das tarifas de ônibus.

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Na reunião, segundo ela, houve uma decisão de não se elevar a tarifa de ônibus.

Mas o secretário municipal de Transportes, Jilmar Tatto resolveu aumentar as tarifas mesmo assim, disse Marilena.

O seminário, organizado pelo ex-ministro de Relações Exteriores Celso Amorim (2003-2010), reuniu ex-líderes mundiais como o ex-premiê francês Dominique Villepin, o ex-primeiro-ministro italiano Massimo D’Alema e o ex-primeiro ministro espanhol José Luis Rodriguez Zapatero, além do linguista americano e ídolo da esquerda Noam Chomsky.

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Todos criticaram o processo judicial que mantém Lula preso em Curitiba e o impede de concorrer à Presidência.

D’Alema, que visitou Lula na prisão em Curitiba na quinta-feira (13), afirmou que ele “está um pouco mais magro, e machucado por seu julgamento injusto, mas não está fundamentalmente diferente”.

“Lula continua com a mesma visão, a mesma determinação lúcida, e falou mais sobre a fome no mundo do que sobre seus problemas”, afirmou o político italiano.

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Coube a Zapatero pedir à plateia de intelectuais ligados ao PT apoio à candidatura de Haddad.

Zapatero citou Haddad, a quem chamou de Fernando, dizendo estar otimista e acreditar que o próximo presidente do Brasil será do PT. A plateia, que havia aplaudido em vários outros momentos, ficou silenciosa.

“Eu sei o que significou para vocês o presidente Lula não poder ser candidato, sei o que vocês sentem”, disse Zapatero. 

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“Mas vocês têm que acatar [o pedido de Lula] e apoiar seu candidato, assim Lula ficará onde ele deveria estar e estarão fazendo um grande serviço para a democracia.”

No final, participantes puxaram um coro “Lula Livre” e se levantaram, enquanto alguns poucos, depois, entoaram um breve “Haddad presidente”.